
Antônio Gomide, destacado pintor e escultor brasileiro do século XX, decidiu passar seus últimos dias, já doente e cego, em Ubatuba, a qual já conhecia, como atestam várias obras suas retratando nosso cotidiano caiçara.
Elvira Vernaschi, provavelmente a maior conhecedora de Gomide, graciosamente e às suas custas, veio a Ubatuba, em 2017, tendo, conjuntamente a nós, reunião com o então presidente da Fundart, Sr. PEDRO PAULO.
A ideia era de promovermos evento em comemoração ao cinquentenário de seu falecimento. Nada de muito luxuoso, porém significativo do reconhecimento de Ubatuba por aquele que, ainda com fama, escolheu estas praias para seus últimos suspiros, artísticos e vitais. Tal como no resto do Brasil nada foi realizado, GOMIDE provavelmente… não existiu!
Brevemente publicaremos entrevista com uma ubatubana mui conhecida e que foi cá a última cuidadora deste grande artista.
Abaixo uma breve biografia de Gomide extraída de “Os artistas brasileiros na Escola de Paris anos 1920” de Marta Rossetti Batista, lançado pela Editora 34 em 2012.
“ANTONIO GOMIDE (ANTONIO GONÇALVES GOMIDE) nasceu em
ITAPETININGA em 1895 e faleceu em UBATUBA em 1967. ¨Depois de formar-se pela Escola Normal de São Paulo, em 1912, partira, em 1913, com toda a família – seus pais e irmãos – para a Suíça. Como sua irmã REGINA, durante os anos da guerra cursou a Escola de Belas Artes de Genebra. Com o falecimento do pai, no final de 1917, resolveu voltar ao Brasil; estava em São Paulo em meados de 1918, onde permaneceu por menos de um ano. Em 1920 retornou a Genebra. Ao voltar para a Europa, em 1920, certamente ainda se valeu de recursos familiares. Depois, não contaria mais com esta ajuda, nem possuía qualquer bolsa que o sustentasse. Exerceu as mais variadas atividades para seu ganha-pão: de operário a boxeador, da venda de desenhos nas ruas a trabalhos gráficos para costureiros e casas de decoração. Gomide era boêmio, inquieto, sempre viajando para novos lugares, sem ligações mais estáveis e conhecidas com os brasileiros no período. Pouco se sabe sobre sua primeira temporada em Paris (1921-22), ao lado de MARYON sua companheira durante toda a década de 1920. Em meados de 1926 veio ao Brasil…voltou a Paris…retornando definitivamente a São Paulo, com MARYON, no início de 1929”
Ficou cego e foi viver em Ubatuba de 1964 a 1967 aonde faleceu (ou não exatamente: veja em breve a entrevista referida).